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Editoriais e Opiniões



Da TempleBrasil

O Templário dos dias de hoje


O tempo passa e felizmente a Verdade sempre acaba prevalecendo. Foi exatamente o que aconteceu ao final desses 700 anos de obscurecimento, dos quais 400 na “clandestinidade” , a que os Templários se viram submetidos à vergonha e ao desprezo graças a uma farsa arquitetada pelos interesses escusos da cobiça, inveja e mentira de um reino falido e endividado, justamente junto a Ordem do Templo. Foi um final feliz pelo qual todos esperávamos pacientemente, porque sabíamos que mais cedo ou mais tarde ele ocorreria. É bem verdade que os “Pergaminhos de Chinon”, descobertos por Bárbara Frale em 2001, aceleraram os fatos.

Por quê conseguimos a recuperação da honra e da dignidade? Porque os Templários nunca se curvaram diante da possibilidade da morte e da tortura, cujo maior exemplo foi dado pelo Grão Mestre da época, Jacques de Molay, supliciado e justiçado na fogueira dos herejes. Esse exemplo sempre foi o Norte de conduta que os orientou a perseverarem mesmo após a supensão da Ordem e o desbaratamento de seu patrimônio. Parcialmente reabilitados em 1705 pelo Duque de Orléans, saindo da “clandestinidade” e podendo se manifestar publicamente, porém ainda com todas as pechas de herejes, homessexuais, devassos e etc.., a reabilitação moral, cívica e Cristã só viria com a evidência do “Processus contra Templarios” e com a declaração pública de que tudo não passou de uma farsa partindo do mesmo órgão - que se não a condenou pelo menos se omitiu -, a Igreja, que foi o que vimos em 25 de Outubro passado.

Setecentos anos se passaram. Os tempos são outros, o contexto é completamente diferente, os hábitos mudaram, houve um progresso descomunal em todos os campos da ciência, da política, da cultura e sobretudo das comunicações; o combate corpo-a-corpo, o cavalo, a espada e o escudo hoje são só meros símbolos. Só o Manto Branco da pureza, o Escudo da verdade e a Cruz Vermelha da disposição ao martírio tanto moral como material prevalecem para os Templários, símbolos esses que continuam sendo os pilares de sustentação da Ordem.

Com o passar dos tempos os inimigos também mudaram. Já não são mais os salteadores que afligem os peregrinos a caminho da Terra Santa, os inféis querendo se apoderar da Cidade Santa, nem os contrários à fé Católica. Hoje o cenário é outro. O teatro de operações se deslocou dos campos de batalha das planícies e das encostas para as cidades, para o campo sutil das idéias, das comunicações, da política e do poder econômico. Os grandes inimigos de hoje se chamam Injustiça Social, Capitalismo Selvagem, Fundamentalismo Religioso, Terrorismo, Intolerância Religiosa, Corrupção, Lascívia, Permissividade e Desrespeito ao Meio-Ambiente, insuflados pelos grandes e mesmos motivos de sempre: a cobiça e a ignorância.

Assim, os Templários dos dias de hoje devem se adaptar a essas novas circunstâncias substituindo o cavalo, a espada e a lança pela avaliação da estratégia a ser usada nesse novo combate, ou seja usando a inteligência. Continuar usando o escudo da Verdade contra os ataques da mentira. E atacar usando como principais armas a convicção nos princípios e o exemplo da conduta. Exemplo de fato, não só de palavras e conselhos. Denunciando publicamente através dos meios de comunicação que tenham à disposição, principalmente a Internet, e procurando sensibilizar as Autoridades na medida de seu alcance. Afinal, não foi assim que obtivemos a recuperação da honra e da dignidade?

Para aqueles que porventura cheguem a estas páginas e ainda não estejam familiarizados com o Templarismo, publico abaixo os princípios que os regem e um sumário das condutas esperadas de um Templário:

Princípios que regem o Templarismo

Têm por base o lema: “NON NOBIS DOMINE, NON NOBIS SED NOMINI TUO DA GLORIAM” – “Não a nós Senhor, não a nós mas toda gloria a Teu nome”.

Princípios

  • 1. Lutar contra o materialismo, a impiedade e a tirania no mundo.
  • 2. Defender a santidade do indivíduo.
  • 3. Ratificar a base espiritual da existência humana.

Nota: Como existem várias Ordens Templárias, sendo algumas Católica, Apostólica, Romana, outras ditas templárias só no nome, convem ressaltar que a OSMTJ, a qual pertenço, é monoteísta e Cristã, e que adota os Princípios acima entendendo que:

  • a. Há um só Deus, uma vida criada por Ele, uma verdade eterna e um propósito divino.
  • b. Reconhece todos os seres humanos como filhos de Deus, sem distinção de raça, sexo e religião.
  • c. Apoia a liberdade de expressão, de consciência e de religião; a defesa coletiva e medidas positivas para erradicar a pobreza e a injustiça que ameaçam a paz mundial.
  • d. Que a felicidade e a dignidade não só dependem do bem-estar físico, mas também de valores e interesses além da vida privada.
  • e. Políticas claras e práticas são aquelas que asseguram uma habitação decente, assistência sanitária que possibilitam a oportunidade de viver uma vida total, podendo-se desenvolver os talentos naturais.
  • f. Estimula o patriotismo, sustentando ainda a idéia de que cada nação deve estabelecer mecanismos apropriados para vigiar e acompanhar a melhor utilização dos recursos naturais, como também a agricultura e os recursos florestais.
  • g. A educação é a responsabilidade mais importante daqueles encarregados da administração para prover instrução adequada às futuras civilizações.
Sumário de Condutas

  • Não deve ser rude nem grosseiro;
  • Não deve se embebedar;
  • Não deve ser imoral nem amoral;
  • Não deve ser covarde nem agressivo;
  • Não deve mentir nem ter intenções maliciosas;
  • Não deve buscar posições de engrandecimento dentro da Ordem....;
  • Não deve julgar ninguém dentro ou fora da Ordem por suas posses ou posição social....;
  • Deve ser submisso aos princípios da Ordem e obediente a seus Oficiais...;
  • Deve ser um verdadeiro patriota..;
  • Não deve praticar a caça nem por vaidade nem por esporte;
  • Não deve matar nenhuma criatura exceto para alimento ou em defesa própria;
  • Deve se manter firme e verdadeiro nas justas causas de Deus;
  • Não adotará atitude ofensiva contra nenhum homem pela forma com que se dirije a Deus, embora seja diferente ou estranha. Antes, pelo contrário, o Templário deverá tentar entender como outros se aproximam de Deus;
  • Deve sempre ser consciente de que é um soldado do Templo e cuidar sempre que suas obras sejam um exemplo para os demais.

Fr. +João José Baptista Neto




Dos Associados





Espaço reservado aos Associados que queiram manifestar sua opinião com relação a qualquer tema que diga respeito ao bem-estar da humanidade, justiça social, respeito às leis, preservação do meio ambiente..., enfim, temas que devem ser a preocupação permanente de um Templário.

As opiniões aqui expressas sempre serão de responsabilidade do autor.




Turma I do Curso de Formação Templaria

Dezembro/2008

O Cavaleiro Templario na Idade Media e nos dias atuais

Autor: Esc. Eduardo Isaac Rodrigues

Na Idade Média, o Cavaleiro Templário devia comprometer-se integralmente com seus quatro votos, castidade, pobreza, obediência e proteção da cristandade no oriente e sua luta se dava tanto no campo físico como no espiritual da sociedade. Com uma nobreza e coragem únicas, empunhavam suas espadas e eram os primeiros nas batalhas, sendo temidos por todos os inimigos. Fora das batalhas, se dedicavam à oração, propagação dos ideais cristãos, bem como no desenvolvimento das áreas que estavam sob sua influência.

Hoje, em minha concepção, um Cavaleiro Templário, não tem princípios e valores diversos daqueles de outrora, pois realmente muito se assemelham, porém, já não mais empunha suas armas e combate em campo físico. Seu combate é primeiramente interno, para melhorar-se moralmente, espiritualmente, e depois na busca por influir nas sociedades onde se faça presente, contribuindo de alguma forma para seu desenvolvimento, além de trabalhar para minimizar os sofrimentos alheios.

Os valores cristãos, e a busca eterna por ser melhor a cada dia e ajudar seu semelhante, torna o presente e o passado próximos e constitui um elo indestrutível entre os primeiros bravios que instituíram a Ordem e aqueles que hoje propagam seus ideais. Atualmente, acredito que nossos grandes embates devem ser no campo político e diplomático, afim de obter o melhor para as comunidades e para seu povo, com uma melhor aplicação de recursos, e mais foco no bem coletivo. Num âmbito mais local, o Cavaleiro deve sempre se fazer presente onde quer que seja necessário, através de ações filantrópicas e iniciativas que beneficiem o próximo. E a tarefa diária do Cavaleiro de hoje é por em prática suas virtudes, e procurar ser melhor a cada dia.



Novembro/2008

Como surgiu a Ordem do Templo

Autor: Esc. Eduardo Isaac Rodrigues

"Não existe verdade absoluta, mas sim o grau de
entendimento que nos encontramos. O certo e o errado, o mal e o
bem, conceitos aparentemente antagônicos, carregam em si a
relatividade das concepções que cada um traz em seu interior,
bem como o estado evolutivo que o Ser se encontra na escada infinita de progresso".




Um fator o qual é prudente sempre considerarmos, é que perigoso se torna tomar algo por uma verdade imutável, pois as informações que vem de encontro a nós, são visões e interpretações sobre achados ou sobre aquilo que outros relataram em algum momento da história de acordo com suas próprias concepções. Assim sendo a história pode ser próxima, mas dificilmente exata, ficando a mercê da perspectiva e interpretação dos observadores, e deste modo mesmo episódios de centenas de anos podem ser recontados, desvendados e acrescidos à luz de novas descobertas.

O surgimento da Ordem do Templo não pode ser tomado por um único aspecto, pois complexa é a conjuntura sócio-política e religiosa que na época imperava. Para um maior entendimento, devemos considerar, principalmente, o modo de pensamento das gentes da época, bem como outros aspectos que procuraremos dentro do possível demonstrar nesta breve exposição.



O Islã

Maomé, a figura de maior importância no mundo islâmico, uniu as tribos e grupos em torno de uma única fé, e combateu com firmeza aqueles que a ela se opuseram. Destruiu ídolos e crenças diversas e criou todas as bases da religião que hoje é uma das maiores do mundo.

Após sua morte, no ano 632, o governo teocrático e gigantesco, que havia sido constituído em torno de sua pessoa, sofre um grande impacto. Nada havia sido pré-determinado, em termos de sucessão após sua partida.

Então com a ausência de sua figura central o mundo Islâmico estava novamente suscetível a divisões, divergências e conflitos. E é em decorrência disto que duas grandes vertentes dividiram o povo, entre xiitas e sunitas, o que é fundamentalmente uma das raízes dos conflitos que hoje divisamos no oriente médio. Os primeiros acreditam que só o Alcorão, escrito por Maomé, deve ser considerado como grande livro sagrado de sua fé, enquanto os segundos acreditam que além do Alcorão há outro livro sagrado que deve nortear seus costumes e atos, a Suna, que é uma compilação de eventos e feitos do profeta, reunidos pelos seus familiares.

Assim, imerso em disputas, o povo tinha novamente necessidade de uma grande personalidade que reuniria o povo islâmico e os protegesse da ameaça da cristandade da época, que a partir de 1096 começou a empreender cruzadas rumo às terras do oriente, e concentrando-se logo, na cidade de Jerusalém, uma cidade de vital importância tanto na fé islâmica, cristã quanto também na judaica. As disputas dentre o povo Islâmico eram constantes, e agora outro inimigo entrava em cena, os Cristãos, com hábitos, cultura e crenças diversas, e que vinham cada vez mais fortalecidos combater àqueles contrários à sua fé, em nome de Jesus Cristo, e reivindicar a cidade onde o mestre Jesus viveu seus últimos episódios terrenos. No outro lado, aos Mulçumanos era permitido a Jihad, ou guerra santa, para combater aqueles que ameaçavam sua fé e seu domínio.

Nos idos de 1174 quando o então rei de Jerusalém, Amauri, falece, evidência-se ainda mais um homem que foi de sua confiança, Salah ed-din, conhecido como Saladino. Por seu lendário modo extremamente cavalheiresco, fervor religioso, grandes habilidades políticas e pela sua destreza e habilidades em combates, rapidamente foi reconhecido pelos mulçumanos como Sultão, liderando um exército de mais de 500.000 mil homens em armas e fortalecendo seu povo no sentimento de uma só nação com objetivos em comum.

E neste cenário de fervor religioso e conflitos, repleto de homens vitimados por extremismos e ignorância, e ao mesmo tempo convivendo com inúmeras personalidades de tal virtude jamais imaginadas, é que surgiu a Ordem dos Templários, que iria causar um profundo impacto nas mentes e corações dos homens da época, e seus reflexos, visíveis ou ocultos, ainda perduram e continuarão a ecoar pelos tempos imemoriais.



O início da Ordem do Templo

Muito se especula sobre os motivos da instituição da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e sobre suas atividades. Teorias mais ousadas dizem até que a Ordem foi fundada para guardar tesouros ou relíquias sagradas, como o Santo Graal por exemplo.

Contudo, acredita-se que Hugues de Payns, um dos nove cavaleiros franceses que fundaram a Ordem, possa ter participado de cruzada anterior. A realidade era dura, e com os conflitos e divergências constantes entre a cristandade e os povos islâmicos, os que mais sofriam eram os peregrinos que iam à Terra Santa com objetivos diversos, de redenção de seus pecados à busca de fazer fortuna, Estes peregrinos através de caminhos inóspitos eram vitimados por doenças, saques, intolerância e morte. Este fator pode ter sido a motivação principal do Cavaleiro, que se propõem, juntamente com mais oito companheiros, dedicarem suas vidas à proteger dos peregrinos dos ataques dos muçulmanos.

Ser Cavaleiro, ou seja, exercer o Ofício de Cavalaria, naquele período era depois dos clérigos, ofício de extrema importância, e implicava em ter nobreza de coragem, honra e virtudes, temer à Deus e defender os idéias cristãos, bem como assumir perante a Deus e ao povo um compromisso de defender os pobres e desprovidos. Essa mentalidade, perfeitamente seguida por estes primeiros nove bravios, culminou na instituição de uma organização monástico-militar, no ano de 1118, sendo estabelecidos pelo rei Balduíno II na mesquita de Al-Aqsa, edificada onde outrora fora partes de um antigo templo judaico, supostamente erigido pelo rei Salomão. Daí o nome original de Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo passar logo a ser conhecido simplesmente por Ordem do Templo ou Templários. Nestes primeiros anos eles ainda não teriam hábito ou regra determinada que os diferenciasse dos outros cruzados e ordens já existentes, embora o valor do Pobres Cavaleiros de Cristo fosse gradualmente sendo reconhecido.

Os então Templários fizeram votos de pobreza, castidade e obediência. Viviam de doações e esmolas, faziam escolta de peregrinos entre Jerusalém às margens do Jordão, e outros serviços menos expressivos, mas não sem importância, devido pequeno número de cavaleiros.

No Concílio de Troyes, no ano de 1128, no qual São Bernardo de Claraval que era um dos grandes apoiadores da Ordem, teve atuação das mais fundamentais, os Templários receberam o hábito branco com uma cruz vermelha na frente, e adotaram a regra cisterciense de são Bento, aceitando rígidas normas referentes ao funcionamento da Ordem, organização e vida monástica. Deviam assistir à missa todos os dias, vestir-se de modo simples e comer aos pares no mesmo prato. O silêncio era profundamente valorizado e aconselhado, evitando-se assuntos profanos ou menores.

Pelo seus ideais cristãos, manifestas virtudes, e a valentia e destreza que demonstravam nos combates, os monges-soldados obtiveram um imenso prestígio. Rapidamente a Ordem cresceu, tanto em membros e auxiliares quanto em território, riqueza e influência, com uma bem definida hierarquia, estatutos, e organização interna, tendo grande autonomia, livres da jurisdição de reis ou bispos, respondendo somente ao papa. Assim ela se tornava a instituição mais poderosa de sua época. Sua influência estendia-se nos mais diversos campos, cultural, social, econômico-financeiro, diplomático e bélico.

Neste sentido, acabaram por impulsionar muitos avanços consideráveis em todos essas áreas, proporcionando uma contribuição valiosa para os homens da época, bem como para as gerações vindouras, alcançando-nos na atualidade. Principalmente seus valores, a coragem com que protegiam os peregrinos e que lutavam em seus embates, sua proficiência econômica, administrativa e militar, gravaram marcas indeléveis nas páginas da história humana e atraem pesquisadores, curiosos e buscadores, que se deleitam com os feitos dos Cavaleiros Templários e assim se inspiram em suas próprias peregrinações rumo ao conhecimento e Sabedoria.



Fontes pesquisadas:

– Textos disponibilizados no arquivo do grupo TempleLucis
– Coleção Sociedades Secretas – Editora Larousse
– Wikipédia










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